Crianças tocam o homem nu.
Não escondidas ou amordaçadas,
Mas incentivadas e motivadas.
Elas não estão perdidas nas ruas,
Solitárias e abandonadas à própria sorte,
Mas estão com seus procriadores,
Que as abraçam e as orientam
Diante de uma plateia
Que permanece em fúnebre silêncio,
Ansiosamente esperando
Que aquelas inocentes mãos
Toquem o homem nu em seu falo.
Na plateia,
Homens e mulheres,
Pobres e doutores,
Que sob o transparente véu
Da liberdade e da cultura,
Estupram a moral e a sanidade
De uma sociedade que se diz evoluída,
Sem limites,
Sem preconceitos,
Com liberdade de expressão.
Sob o transparente véu,
A mãe segura a pobre criança,
O pai acaricia seus cabelos
Enquanto o homem nu
Macula sua inocência.
A plateia aplaude extasiada,
O Homem nu sorri e goza,
Enquanto a criança silenciosamente chora.
Este é o mundo que queremos?
Se sim,
Então levantemos a bandeira da liberdade a qualquer preço,
Hasteemos o pavilhão da cultura sem limites,
Vistamos a flâmula colorida e alegre da imoralidade,
E, por fim,
Levantemos bem lá no alto,
A bandeira negra da escuridão e da morte,
Afoguemo-nos em nosso soluço da alma,
Pois nada mais restará neste mundo
Que perdeu sua humanidade,
Em nome da liberdade sem limites.
Se não,
Gritemos com todas as nossas forças,
Dando um basta na violência mascarada,
Pois o nosso silêncio torna forte o inimigo,
Que no silêncio arma a emboscada,
Cantando uma suave canção de ninar
Enquanto embala nos braços os nossos filhos.
Batamos no peito,
Ergamos nossos punhos,
Elevemos nossas vozes,
E digamos não,
Mil vezes não…
