Madrinha Lina benzedeira

Benção madrinha, falava o neguinho
Toda vez que chegava na madrinha Lina,
Benzendeira de mão cheia e espírito leve

Na casa de madeira surrada
Lá no bairro São Cristóvão
Quase às margens do rio Iguaçu
Havia um pequeno quarto mágico
Onde pairava o cheiro de arruda
E outras ervas milagrosas,
Havia também as velas acesas
Aos santinhos de gesso
Dispostos em pequeno altar

A magia então acontecia
Em sussurros e rezas ininteligíveis
Madrinha Lina falava com os anjos,
Com São Jorge e outros santos,
E assim ia benzendo,
As ervas passava ao redor do corpo,
As mãos colocava na cabeça,
Assoprava,
Movimentava as mãos,
Assoprava,
E é claro que tudo isso arrepiava
Por vezes até a cabeça tonteava
Podia ficar ali por horas
Sentado na banqueta de madeira,
Mas de repente vinha a última palavra
“Pronto”
Era quando terminava o benzimento
Com um sorriso dourado
Estampado em sua negra face

Os males espantava com suas rezas
E eu não era o único que gostava
Pois sempre tinha alguém
Para ser benzido com seu ritual
E ser agraciado pela sua fé.

Luiz Antonio Wiltner
Professor, poeta, mestre em Comunicação, graduado em Letras, bacharel em Jornalismo, formado em Psicanálise Clínica. Subtenente da PMSC.

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