Este fichamento objetiva colher dados sobre estudo realizado sobre o cargo de Adjunto de Comando no Exército Brasileiro, verificando-se as reflexões que ocorrem com o seu exercício diário. Com esse e outros materiais, pretende-se, posteriormente, realizar um Ensaio sobre a “Carreira dos praças e a inclusão da função de Adjunto de Comando na Polícia Militar de Santa Catarina”.
Referência:
SOUZA, E. O.; PIRES, A. V. M. Curso de Adjunto de Comando: o Aprimoramento Constante na Formação para o Êxito no Exercício do Cargo. O Adjunto: Revista Pedagógica da Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas. V.7, n.1, p. 73-77 (Dez. 2019).

Fichamento:
O trabalho dos autores baseia-se sobre a importância do cargo de Adjunto de Comando e a necessidade de se buscar uma contínua avaliação e formação para ocorrer um exercício exitoso por parte dos militares que assumem o cargo. Trabalha, portanto, com a Dimensão Humana e o Desenvolvimento de Liderança dos graduados no Exército Brasileiro.
Para isso, o artigo está assentado em reflexões nas origens do cargo ao atual cenário; no protagonismo da Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas – EASA; em uma pesquisa de campo realizada com Oficiais Generais e Oficiais Superiores que exerciam a função de comando, direção e ou chefia, e que tiveram um Adjunto de Comando durante a sua gestão; com os Adjuntos de Comando em atividade; e em um Seminário de Educação Militar realizado em Cruz Alta – RS; além da própria vivência dos autores, considerando que são militares que atuavam na EASA. Assim, passam a discorrer sobre os temas.
A criação do cargo ocorreu em 2015, mesmo ano em que se realizou o primeiro Estágio de Preparação na 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, com sede em Dourados – MS. Em 2016, o EB institucionalizou o Curso de Adjunto de Comando, “concebendo-a na Linha de Ensino, grau médio e na modalidade extensão, sob responsabilidade da EASA […]” (SOUZA; PIRES, 2019, p. 74, grifo nosso). Sendo que ocorreu nessa instituição, em 2016, o 1º Curso de Habilitação de Adjunto de Comando do Exército. Composto por 204 horas/aula, sendo 66 horas na modalidade a distância e 138 horas presenciais, com conteúdo atualizado, buscando desenvolver competências e habilidades necessárias ao militar do século XXI.
Nesse sentido, Chiavenato (2014) diz que o desenvolvimento das pessoas ocorre quando se busca ir além do agora, almejando-se um foco que permeie a carreira a longo prazo, preparando as pessoas para acompanhar as mudanças na organização.
Assim, o EB, com essa perspectiva de valorização, do ponto de vista da gestão de pessoas, “[…] consegue captar e aplicar adequadamente as competências dos talentos, como também mantê-los satisfeitos e engajados ao longo prazo na organização” (CHIAVENTO, 2014, p. 373).
Ou seja, os praças sentem-se valorizados e com novas perspectivas em suas carreiras, cuja criação do cargo foi ao encontro do Planejemento Estratégico do Exército e a Concepção de Transformação do Exército 2016-2022, valorizando-se a dimensão humana no EB.
Para saber os reflexos do cargo, em 2019, entre os meses de julho a agosto, a EASA realizou uma pesquisa de campo, na qual foram ouvidos uma amostra de oficiais, sendo Oficiais Generais e Oficiais Superiores que exerciam a função de comando, chefia ou direção, e que durante o exercício dos seus cargos tiveram Adjuntos de Comando. Ouviu-se, também, um grupo formado por Adjuntos de Comando em exercício. Os autores relataram os resultados em três grupos.
No primeiro grupo, participaram 46 Oficiais Generais, sendo que 93%consideraram o Adjunto de Comando relevante para a organização, e 7% responderam que não são relevantes. Dentre os pontos destacados pelos generais estavam a liderança (32%), perfil pessoal (20%), assessoramento oportuno (18%), maturidade (17%) e outros (13%).
Já os 79 Oficiais Superiores ouvidos, 91% consideraram o cargo de Adjunto de Comando relevante e outros 9% não. Dentre os pontos estavam: liderança (34%), assessoramento oportuno (25%), perfil pessoal (10%), maturidade (15%) e outros (16%).
Por fim, foram ouvidos 100 Adjuntos de Comando no exercício do cargo. Para 46% deles, o principal fator que determina o êxito do cargo está atrelado ao apoio do gestor; seguido da experiência profissional (23%); conhecimento (12%), e apoio do Estado-Maior/militares da Organização Militar (OM) (18%).
Como oportunidade de melhorias relativas ao curso de habilitação, o grupo de Adjuntos de Comando ainda sugeriu o aumento da carga horária, atualização do plano de disciplinas, melhorias do processo seletivo, melhoria da estrutura de material e pessoal, além de outras sugestões.
Ainda, em 2019, também se refletiu sobre o cargo por ocasião do IX Seminário de Educação da EASA – I Seminário de Educação Técnica Militar, onde ocorreu uma avaliação sistêmica do curso e do cargo de Adjunto de Comando.
No evento foram discutidos aspectos como: perfil do graduado, sitemática de seleção para o curso, sistema de ensino. Realizou-se grupos de trabalho, nos quais foram levantadas questões pertinentes ao Curso de Adjunto de Comando e do cargo, como: o calendário para regular os vários eventos; distrituião das seleções ao longo da carreira; e proposição de militares que exercem o Quadro de Auxiliar de Oficiais que, enquanto graduados exerceram o cardo de Adjunto de Comando, possam ser designados para o desempenho do cargo em organização diversa, valorizando o seu conhecimento.
Por fim, os autores concluíram que tanto na pesquisa realizada quanto no seminário, a relevância do cargo de Adjunto de Comando é visível, embora tenha poucos anos desde a sua criação.
Afirmam que modificações pontuais tanto na formação quanto nas atribuições do cargo podem ser necessárias, e devem ser vistas como “boas oportunidades de melhoria, o que é normal em qualquer processo sujeito a avaliação contínua” (SOUZA; PIRES, 2019, p. 76-77).
Salientam que foram alcançados todos os objetivos propostos quando se implementou o cargo como a valorização dos militares experientes com destacada liderança, possibilitando o assessoramento oportuno ao comandante e acesso à tropa.
Por fim, a vivência dos autores é revelada quando enfatizam que a EASA é uma peça-chave nesse processo de formação, e continuará buscando a excelência no ensino, entregando profissionais altamente qualificados para as Forças Terrestres.
Essa conclusão e visão compartilhada pelos autores é oportuna, pois, segundo Lima (in BRASIL, 2019, p. 8), uma análise do “[…] Perfil Profissiográfico e Mapa Funcional percebe-se a necessidade de um militar com alto padrão de desempenho profissional para a execução da missão.” Contudo, também salienta, “[…] a prática tem demonstrado que não tem sido possível capacitar inteiramente os Adjuntos de Comando para o nível estratégico”.
Ou seja, a pesquisa, o seminário e todas as reflexões realizadas demonstraram claramente a importância do cargo e o que os comandantes estão pensando dos seus Adjuntos de Comando, mas como bem dito pelos autores, a excelência deve ser buscada continuamente, pois há oportunidades de crescimento, e a casa de formação EASA é essencial no cumprimento dessa missão.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA DE OUTRAS OBRAS CITADAS
BRASIL. Ministério da Defesa. Exército Brasileiro. Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas. Estudo de Estado-Maior nº 002. 30 set, Cruz Alta, 2019.
CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4ª ed. Barueri, SP: Manole, 2014.

Luiz Antonio Wiltner
Professor, poeta, mestre em Comunicação, graduado em Letras, bacharel em Jornalismo, formado em Psicanálise Clínica. Subtenente da PMSC.
