Aprendi com duas chinesas uma grande lição: como subir na vida

Eu, evidentemente, já andei de elevador. Aliás, ainda sou do tempo do ascensorista! “Então, posso afirmar que eu entendo de subir de um andar para o outro apertando um simples botão!” Pois bem, era isso o que eu pensava antes de ter uma experiência inovadora em São Paulo, cujo elevador não saiu do lugar por mais que eu apertasse reiteradamente o dito botão do 5º andar.

Minha estadia em sampa foi para participar de um Encontro de Mantenedores promovido pela Poliedro Sistema de Ensino. Foram dois dias de intenso aprendizado para a minha área profissional.

Mas antes de contar a secundária história de aprendizado, vou ajudar a galera mais nova a compreender o vocábulo ascensorista: “Profissional responsável por operar elevadores”. Esclarecendo mais ainda: Era uma pessoa uniformizada que trabalhava dentro do elevador, perguntava o andar e apertava o botão. E, sim, era uma profissão…

Desatualizados não mudam nem de andar em um hotel

A tradicional chave para a porta do quarto, em vários hotéis, não existe mais, mas o hóspede recebe um cartão magnético (tipo de banco) para abrir a porta. Isso eu já sabia e usei, pois não sou tão antigo assim.

“A novidade estava no elevador mesmo!”

Entrei no elevador, sozinho eu estava, como de praxe, olhei para o botão do andar e apertei. Eis que nada aconteceu. Apertei uma segunda vez, e nada. Apertei para a porta fechar e, nada também. Apertei mais uma, duas, três vezes o botão de número 5. Nada.

Nessa altura do campeonato, já estava com os olhos intrigados, dedo irritado, tentando entender o acontecido. Eis que entram duas mulheres falando chinês. Disseram muito obrigado com um “chinglês” (inglês com sotaque de chinês). Acho que elas tinham pensado que eu “segurei” o elevador para elas entrarem! Até pensei em arriscar um “de nada” em inglês, mas o foco estava no botão.

Então apertei mais duas vezes o botão. Nada. Eis que elas falaram algo que não fiz a mínima ideia do que era, pois não falo chinês. Aquelas que atravessaram o mundo, pegaram o cartão do quarto, encostaram no painel do elevador e apertaram o andar que gostariam de ir. Com os olhos apertados olharam para mim, que mesmo sem falar chinês, entendi pela linguagem não verbal o que elas queriam dizer: “O bobão, aprendeu ou quer que desenhe?” A porta, fechou-se, subimos, finalmente.

No andar delas, desceram. Eu fiquei sozinho e, agora com ar de recém-formado e devidamente atualizado, estiquei o meu cartão de quarto, encostei no painel do elevador, apertei o número 5 e a porta se fechou. “Caraca, aprendi a pegar o elevador com duas chinesas!”

Calma, a atualização ainda não acabou!

Lembram quando disse que já tinha usado um cartão para entrar no quarto, e que, portanto, não era novidade. Pois bem…

Já na porta do quarto, eu encostava o cartão na fechadura, ela tinha uma luz que ficava verde, que significava “entre, siga em frente”, então eu pegava na maçaneta e… nada! A porta não se abria. Fiz isso mais duas vezes. Nada!

“Alguém, por favor, chama as chinesas!”, gritava o meu cérebro bugando.

Mas então eu parei, olhei o cartão, a fechadura, o cartão novamente, e utilizando todos os meus neurônios das décadas passadas, com uma mão segurei o cartão e o coloquei próximo da fechadura, com a outra mão segurei a maçaneta e a pressionei para baixo. A porta se abriu.

“Atualização feita com sucesso! Agora já sei pegar um elevador e abrir a porta de um quarto de hotel!”

Já poderia até ter dado meia volta e retornado para o aeroporto, pois a minha ida para SP já tinha sido um sucesso de renovação de conhecimento. Mas lá fiquei e tive dois dias de intensos aprendizados, compartilhando histórias e vivências…

Agora, em casa e pensando nos acontecimentos, pesquisei no Google e, a partir de hoje, quando um chinês me ajudar, pelo menos já sei como agradecer: “Xie xie” (obrigado, obrigado).

Luiz Antonio Wiltner
Professor, poeta, mestre em Comunicação, graduado em Letras, bacharel em Jornalismo, formado em Psicanálise Clínica. Subtenente da PMSC.

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